Consumo também é um ato político

Mulher segurando sacola de compras feita de papel

Felizmente hoje muito se fala sobre consumo consciente; entretanto, ainda há quem são entenda o porque de se comprar de forma consciente e responsável. Por isso resolvi te contar o porque do consumo também ser um ato político o porque devemos nos atentar cada vez mais a isso. Primeiramente, vamos esclarecer para quem ainda não sabe, o que é de fato, consumo consciente.

Consumo consciente nada mais é que um conjunto de hábitos e práticas que visam consumir de forma responsável, pensando nas consequências do nossos atos de compra sobre a qualidade de vida no planeta e na vida das futuras gerações. O consumo consciente adota critérios que, muitas vezes, não são levados em consideração pela grande parte da população, passando a avaliar os caminhos que um determinado produto percorre até chegar as prateleiras das lojas que frequentamos e tendo consciência que nossas escolhas diárias afetam a nossa qualidade de vida, a sociedade, economia e a natureza.

Para um item ser realmente sustentável é um processo muito complexo. É necessário pensar em todos os aspectos possíveis que envolvem o produto; todo seu ciclo de vida. É levado em consideração desde a extração da matéria-prima até o descarte desse item, sempre respeitando a natureza e o ser humano. Embora seja um processo complexo, há decisões que nós, como consumidores, podemos tomar para começar a entrar nesse processo.

Primeiramente precisamos entender que o ato de comprar não é apenas obter o que desejamos, é também uma forma de fortalecimento e financiamento da empresa a qual estamos adquirindo um produto. Recentemente compartilhei em meu Instagram uma frase que dizia: "compre de quem você quer ver florescer", pois temos o poder de escolha em nossas mãos enquanto consumidores. Acredito que devemos comprar apenas de marcas que acreditamos, que tenham os mesmos valores que nós; e para isso é de suma importância saber a procedência do que estamos consumindo.

Infelizmente não fomos ensinados a consumir de forma responsável e sim a consumir de maneira a apenas satisfazer nossos desejos de consumo, e por isso, muitas vezes compramos o primeiro item que vemos, sem nem se importar com a procedência dele. O grande problema é que na maioria das vezes compramos de grandes empresas que já estão consolidadas no mercado e elas por sua vez não possuem a menor preocupação com seus impactos ambientais, fora que, em sua grande maioria, essas empresas ainda utilizam mão de obra escrava.

Por esse motivo é extremamente importante que investiguemos as empresas que estamos fortalecendo e financiando, para que possamos cada vez mais apoiar apenas empresas transparentes, que transmitam de forma clara e objetiva seus valores, ações prol sustentabilidade e que se comprometa com nossa legislação trabalhista. Empesas que compactuem com o que acreditamos.

É importante lembrar que ser à favor do consumo consciente não nos torna contra o consumo em si. Na atual sociedade em que vivemos, é extremamente difícil não consumir absolutamente nada; mesmo que você plantasse seu próprio alimento, costurasse sua própria roupa, confeccionasse seu próprio calçado, você ainda teria que consumir um item ou outro; fora que o consumo é necessário para o desenvolvimento econômico do país. Portanto, o problema não está em consumir e sim quando o consumo se transforma em consumismo.

Para começarmos a entender como um fator está ligado à outro, vamos começar primeiramente a entender o porque do consumismo ser um problema. Consumismo para aqueles que não sabem, é a ação de comprar excessivamente e sem necessidade, essa ação em geral é motivada pelo impulso ou desejo de comprar. Pessoas consumistas em geral acabam mergulhando em dívidas pois consomem mais do que seu dinheiro consegue pagar, o que acarreta na elevação da inadimplência do país, que nada mais é que o não pagamento de uma conta ou dívida.

E é aqui que os fatores começam a se ligar. Se o índice de inadimplência de uma empresa está elevado, essa empresa pode acabar ficando sem dinheiro para pagar suas próprias dívidas e consequentemente tendo que demitir seus funcionários, gerando um maior índice de desemprego no país. Já em relação aos bancos, para compensar o seu alto índice de inadimplência aumentam a taxa de juros de empréstimos, dificultando para aquele que gostariam de iniciar ou expandir um negócio, o que geraria emprego para a população.

Ainda em relação à pessoas consumistas, ao comprar desfreadamente, estamos fazendo com que os recursos naturais sejam extraídos cada vez mais rápidos da natureza, resultando em uma sobrecarga da Terra. E embora sejamos um país riquíssimo em recursos naturais, fauna e flora, o desmatamento está aumentando cada vez mais e isso resulta na ameaça de extinção de muitas espécies como a ariranha, gato-maracajá, jacutinga entre muitas outras.

Não podemos esquecer também da poluição que  nosso descarte causa no meio ambiente. No post sobre os problemas da Indústria da Moda, falei um pouco sobre o descarte, onde citei a informação apresentada pelo relatório "A new textiles economy: Redesigning fashion's future" de que a cada segundo o equivalente a um caminhão de lixo de sobras de tecidos é queimado ou descartado em aterros sanitários; embora a informação seja sobre sobras de tecidos, não é apenas elas que vão para os aterros sanitários, fora que o custo de implementação e manutenção de um aterro sanitário é altíssimo, isso sem considerarmos seus impactos ambientais.

Portanto, a forma de minimizarmos todos esses fatores que foram citados no decorrer deste post é mais do que apenas refletir nossos hábitos de consumo, e sim muda-los.

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