Talvez você não saiba, mas a Indústria da Moda é mais problemática do que imaginamos. Devido ao crescimento do fast fashion, a demanda por produtos cresce cada vez mais, fazendo com que as marcas produzam em grandes quantidades e na maior velocidade possível e isso desencadeia uma série de problemas que veremos logo abaixo.
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IMPACTO AMBIENTAL DA INDÚSTRIA DA MODA
Os impactos ambientais da indústria da Moda são diversos, estima-se que em 2017 ela ocuparia o quinto lugar no ranking das mais poluentes do mundo.
- Consumo de água pela indústria têxtil
A indústria têxtil utiliza todos os anos 93 trilhões de litros de água, que equivale a 4% da captação anual de água doce. Citando somente alguns itens para que vocês tenham uma noção, para a fabricação de uma calça jeans é utilizado 11,000 litros de água, enquanto para um par de sapatos é 8,547 e 2,495 para a produção de uma camiseta.
- Poluição da água como consequência do tingimento têxtil
A maior parte do tingimento têxtil é feito hoje a base de corantes sintéticos. Quase três quartos de toda a água consumida pelos moinhos que realizam o tingimento terminam como resíduo não potável devido aos componentes químicos encontrados nos corantes utilizados. O problema principal ocorre no final desse processo, onde essa água é liberada ilegalmente em rios e mares.
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A presença de corante nas águas é responsável por um desequilíbrio do ecossistema, já que acaba impedindo a penetração da luz solar nas camadas mais profundas do ambiente aquático alterando a fotossíntese realizada naquele meio, tendo como resultado a degradação da qualidade dessa água, diminuição da solubilidade de oxigênio e efeitos tóxicos sobre a fauna e flora aquática.
Fora ainda que os corantes podem infiltrar-se no solo e contaminar as reservas subterrâneas de água potável. Estime-se que a Indústria libere 200 mil toneladas de corantes sintéticos a cada ano no processo de tingimento.
- Microplásticos liberados após a lavagem de fibras sintéticas
Você sabia que as roupas feitas a partir de fibras sintéticas, mesmo que recicladas, contribuem para a poluição do planeta? Isso acontece porque essas fibras durante a sua lavagem liberam microplásticos, que são pequenas partículas de plástico com cerca de 5 milímetros, mas em estudos já foram encontrados com 1 milímetro e até menores que isso.
Roupas feitas de tecidos como poliéster, nylon, poliamida são alguns dos tecidos que liberam microplásticos durante a lavagem. Infelizmente quando a água da lavagem vai para a rede de tratamento de esgoto, cerca de 40% dos microplásticos ainda continuam presentes na água indo para rios e oceanos e como não existe jogar fora, tudo volta para nós de alguma forma.
Uma das formas que o microplásticos volta para nós é através do consumo de peixes e outros animais marinhos que acabam ingerindo esses componentes e consequentemente ingeridos por nós, seres humanos.
A produção excessiva de vestimentas como consequência ao fast fashion resulta em uma grande quantidade de roupas paradas nos estoques das marcas. Muitas vezes para dar fim à essas roupas as marcas costumam descartar ou incinerar pilhas de roupas produzidas e não vendidas.

Como se essa informação apresentada já não bastasse, temos a informação apresentada em 2017 pelo relatório "A new textiles economy: Redesigning fashion’s future", ou em português: "A economia têxtil: redesenhando o futuro da moda" divulgado pela organização inglesa Ellen MacArthur Foundation com o apoio da estilista Stella McCartney de que a cada segundo o equivalente a um caminhão de lixo de sobras de tecidos é queimado ou descartado em aterros sanitários.
Fora ainda que a logística da produção de uma peça faz com que a indústria da moda seja responsável pela emissão de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa ao ano.
MÃO DE OBRA ESCRAVA NA INDÚSTRIA DA MODA
A Indústria da moda é o segundo setor que mais explora a mão de obra escrava segundo a pesquisa The Global Slavery Index 2018, ou índice Global de Escravidão, publicado pela fundação Walk Free sobre o índice global de escravidão no ano de 2016. De acordo com os dados disponibilizados cerca de 40,3 milhões de pessoas em todo o mundo foram submetidas a atividades análogas a escravidão.
Dessas 40,3 milhões, 15,3 milhões são mulheres em situação de casamento forçado. As mulheres ainda correspondem à 71% das pessoas em situação de analogia à escravidão. Homens ocupam 29% desse índice.
Em questões de exploração, a Indústria da Moda fica em segundo lugar, atrás apenas do setor de tecnologia.
- Entenda o que é trabalho escravo:
De acordo com o Artigo 149 do Código Penal Brasileiro, o trabalho escravo pode ser caracterizado por quatro situações, que são:
- Trabalho forçado: O trabalhador é submetido a condições de trabalho sem a perspectiva de deixar o local, seja por conta de dívidas, isolamento geográfico, ameaças ou violências físicas e/ou psicológicas;
- Condições degradantes: O trabalhador é exposto a um aglomerado de irregularidades que configuram a precarização do trabalho, colocando em risco a sua saúde e vida, e que atentam contra a sua dignidade;
- Jornada exaustiva: O trabalhador é submetido a esforços físicos ou sobrecargas de trabalho e que colocam em risco a sua integridade física;
- Servidão por dívida: A pessoa é forçada a contrair ilegalmente uma dívida que a obriga a trabalhar para pagá-la e que são cobradas de forma abusiva.
No Brasil em 2018, a grife brasileira Amissima foi acusada de praticar trabalho escravo. A marca pagava R$9 reais por produto, mas apenas R$3 reais de fato, vão para o trabalhador. Fora ainda que a jornada de trabalho era de 14h por dia, sendo das 8h da manhã ás 22h da noite.
A grife foi atuada pelo Ministério do Trabalho por 23 irregularidades, totalizando uma dívida de 553 mil de indenização a ser paga aos trabalhadores. Procurada pelo Moda Livre a marca se negou a fornecer informações à respeito de medidas adotadas por ela para combater a precarização de seus trabalhadores. Das 132 marcas constadas no aplicativo, mais de 40% estão na mesma situação.
Esse foi o post de hoje, espero que tenham gostado. Comentem aqui me dizendo se já sabiam dessas informações apresentadas ou se há informações que possam complementar as que foram passadas. Até o próximo post, beijos!
REFERÊNCIAS:
- Stylo Urbano. Corantes Sintéticos VS Corantes Naturais - O Paradoxo da Sustentabilidade.2016.
- Universidade Estadual Paulista (UNESP). A Indústria Têxtil no Brasil: Uma Revisão dos Seus Impactos Ambientais e Possíveis Tratamentos Para Os Seus Efluentes. 2016.
- eCycle. Indústria da Moda Desperdiça Um Caminhão de Lixo Têxtil Por Segundo. 2017.
- Hypiness. 71% das Vítimas de Escravidão Moderna São Mulheres Segundo Índice Global de Escravidão. 2018.
- Insecta Shoes. Uma Peça de Roupa Pode Liberar Milhares de Microplásticos na Lavagem.2018.
- Metrópoles. Trabalho Escravo: Moda é o Segundo Setor Que Mais Explora Pessoas. 2018.
- Brasil de Fato. Mais de 35 Marcas de Moda Estão Envolvidas Com Trabalho Escravo no Brasil. 2019.
- Menos 1 Lixo. O Consumo de Água Pela Indústria Têxtil. 2019.
- Vogue. Tingimento: O Impacto no Meio Ambiente e as Soluções Sustentáveis. 2019.
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